Rei Artur e a Mesa Redonda
Um complexo temático que é reconhecidamente de extraordinária difusão pela Europa é o do Rei Artur e dos cavaleiros da mesa redonda. Essa tradição, porém, não é apenas vinculada com a atual Grã-Bretanha, mas sim também com a Bretanha.
Até hoje indica-se ali, segundo a tradição, restos de florestas e lagos relacionados com Artur e Merlim. Na Floresta de Paimpont, a ca. de 40 km de Rennes, com um Centre arthurien, aponta-se o local da floresta encantada de Artus. Segundo a saga, é também chamada de Brocéliande, representando o local onde o rei Artus e a sua Mesa se reuniam. Também o túmulo de Merlin, conselheiro, visionário e mago, é suposto como situado nessa floresta. Na região localiza-se também o castelo de Comper, onde a fada Viviana teria criado o herói Lançalote. Ali teria sido onde Merlin, após ter divulgado o segrêdo de suas artes, caíra em adormecimento eterno. No "Val sans retour", perto de Tréhorenteuc, Morgane teria exilado o seu amigo Guyomart. Na igreja de Tréhorenteuc, a história de Artus e do Santo Graal é representada em vitrais modernos. Aponta-se ali também a Fontaine de Barenton, onde Merlin encontrou Viviane.
Caminhos de difusão
Teófilo Braga, no seu Romanceiro Geral Português, trata de um Cyclo Arthuriano (Matéria da Bretanha), apresentando um possível caminho pelo qual ter-se-ia difundido em Portugal. O lrismo trobadoresco ou ocitano e os cantos épicos dos troveiros teriam decaído nas côrtes medievais, passando-se a preferir os lais bretãos. Esses teriam tomado a forma narrativa e ampliando-se, atingiram proporções de grandes novelas, como os poemas de Lancelot, de Tristão e Yseult, de Flores e Brancaflor, poemas conhecidos por Dom Diniz e seus trovadores, que teriam aos poucos abandonado o gosto ocitano. (Theophilo Braga, Romanceiro geral portuguez 2a. ed. ampliada, Lisboa: J. A. Rodrigues & C. 1909, 406-450).
"E foram taes os enthuziasmos pelos personagens d'esses poemas, que no onomastico civil, encontram-se os nomes de Tristão, de Lançarote, de Parcival, de Ysêa e Ausenda, de Viviana, de Briolanja usados por cavalleiros e damas nos Nobiliarios. Entre o povo estes cantos apenas foram conhecidos na forma breve dos Lais, identificados com os Romances peninsulares; e é notável o encontrar-se todas as situações do Poema de Tristão dispersas pelos nossos romances tradicionaes syncretisando-se com as Cantilenas do Cyclo de Carlos Magno. Os dois substrata poeticos vieram estimular a imaginação popular (...)"
Questões de Difusão: Narrativa e Estrutura
Ciclo Bretão: Artur e os Cavaleiros da Mesa Redonda
Bretanha. Trabalhos da A.B.E. maio-junho de 2008
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